A
CARNE É FORTE!
O
dito popular “A carne é fraca”, nada mais é que uma antiga e esfarrapada
desculpa, utilizada para justificar uma certa modalidade de transgressão, onde
se incluem alguns deslizes e desvios extra-conjugais, ou simplesmente para
explicar “atos-falhos” provocados pela admiração instintiva (aquela de puro
reflexo), quando o belo e o sensual gritam aos olhos de alguns.
Do
ponto de vista gastronômico, não se pode afirmar jamais que “a carne é fraca”,
já que é o ingrediente de origem animal mais utilizado na culinária mundial.
Aqui
no meio gastronômico a máxima é “a carne é forte”! Forte no paladar, no aroma e
na sua abrangência, pode ser um grande assado, grelhado, chapeado, guisado,
compor sopas, saladas, recheios, molhos ou simplesmente ser servida “in natura”
como no Carpaccio ou no Quibe cru.
A
carne bovina sempre se impõe, mesmo quando compartilha o espaço em uma mesa ou
Buffet com outros preparos, além de atrair a preferência da maioria,
normalmente acaba como a campeã da reposição, pois geralmente tem o recipiente
onde é servida esvaziado com mais freqüência.
É
também entre as matérias-primas, a que menos carece de temperos para realçar o
seu sabor, basta um pouco de sal, chapa, churrasqueira ou grelha e pronto, é só
servir.
É
com certeza a mais eclética das carnes quando o assunto é molho, combina com
quase todos e aceita quase todos os tipos de ervas, queijos, condimentos e
composições.
Não
costuma ser generosa quando se trata de compartilhar o paladar com os outros
componentes do prato, todos se tornam coadjuvantes ao seu lado tal é à força do
seu sabor.
Seu
dourado é irresistível, poucos conseguem evitá-la, salvo os vegetarianos
(vegan), naturalistas e monges tibetanos, os demais, raramente resistem ao seu
apelo e sempre degustam pelo menos uma lasquinha.
Para
qualquer um dos seus cortes, há várias formas de preparo, até mesmo os menos
“nobres” têm uma receita que os torna especiais e muitas vezes superiores aos
das mais altas castas.
Antes
rejeitados e descartados, cortes como o cupim, a fraldinha, o vazio, a ponta de
peito, a paleta e a costela, hoje ocupam lugar de destaque nos cardápios de
grandes restaurantes, especialmente as churrascarias que diversificam e sofisticam
as formas de preparo, transformando a antes ralé em iguarias muito solicitadas.
Quem
resiste, por exemplo, nos dias frios, a uma “sopa de músculo com batatas e
agrião”, ou a um “músculo de panela”, um bife rolê com coxão duro, um cupim
casquerado, uma ponta de peito “corte para grelha” grelhada na brasa ou
chapeada, um “goulash” com cubos de miolo de acém, e o que dizer dos cortes
para bife, antes restritos ao filé mignon, contra-filé e alcatra, hoje conta
com várias opções como patinho, coxão-duro, miolo de paleta, acém, coxão-duro e
ponta de peito bem fininhos passados na máquina do açougue.
As
aplicações são diversas, mas, o mais importante é que mesmo distante das
grandes fazendas de criação e abatedouros, povos de vários cantos do mundo não
dispensam um pedaço de carne, apesar de pagarem um preço exorbitante por qualquer
corte derivado do gado bovino.
Por
aqui, apesar de estarmos cercados de fazendas de criação de gado bovino e dos
maiores abatedouros do mundo, pagamos também um preço extremamente alto pelo
quilo, desta que é a preferida e indispensável mistura, na mesa da maioria das
famílias brasileiras e dos cardápios de qualquer restaurante, independente da
classe social de seus clientes.
É
isso aí galera, a carne é ao lado do arroz e do feijão, um ingrediente
indispensável na vida da grande maioria da população brasileira e deveria ser
repassada ao cidadão a preços mais acessíveis.
CARNE FORTE:
Ingredientes: 1kg de miolo de
acém em cubos; -1 colher de cafezinho de noz-moscada; -1 colher de cafezinho de
páprica picante; -1 colher de cafezinho de gengibre em pó; -6 dentes de alho
amassados; -2 cebolas grandes cortadas em quatro partes; -2 pimentas de cheiro
picadas grosseiramente; -1 xícara de cebolinha picadinha; -2 tomates em
cubinhos sem semente; -2 colheres de sopa de manteiga animal; -sal e p.
calabresa.
Preparo: Tempere a carne
com a noz-moscada, a páprica, o gengibre, sal, pimenta calabresa, metade do
alho, tampe, leve para a geladeira e deixe lá por 2 horas. Numa panela de
pressão, aqueça a manteiga doure o alho, junte a cebola, o tomate e a pimenta
de cheiro, refogue, junte a carne temperada, refogue, acrescente 200 ml de
água, deixe ferver, feche a panela e deixe na pressão por 20 minutos, tire a
pressão, destampe a panela e leve de volta ao fogo baixo para reduzir e apurar
por mais 10 minutos. Então, sirva com arroz branco ou com uma massa al dente.

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